Paralelas

sábado, 20 de abril de 2013 às 11:02
Eu sei que você está aí. Você está aí, em algum lugar desse mundo enorme. Você, que assim como eu, está esperando. A gente senta e espera a pessoa certa aparecer. Mas ela não aparece. E os dias vão passando. E você vai acreditando que a pessoa certa não existe. Aí os dois decidem se levantar e continuar a vida.

E finalmente eu te encontro. Mas já nem percebo, pois desisti de te procurar. Você deveria chegar com o soar de uma corneta, com uma música romântica, com estrelinhas que brilham ao seu redor e anjos que voam felizes. 

Mas nada disso acontece... E o meu coração que há muito tempo já é pedra, bate uma única vez, quase imperceptível. Mas o sentimento já me é tão estranho que nada faço. E você tem a mesma reação.

E nós dois nos olhamos, nos identificamos, nos cruzamos e seguimos os nossos caminhos separados. Mas espera... O nosso caminho não é junto? Não seria na mesma direção? Seguimos então em paralelas. E paralelas se cruzam no infinito.

Espero a vida inteira, meu coração bate, de vez em quando, para me lembrar que você está aí, em algum lugar. E eu estou pronto para você. Só falta te achar. Estou te esperando. Pode vir. Eu sei que as nossas paralelas vão se cruzar algum dia. Até breve. Até o infinito...

Inundação

domingo, 16 de dezembro de 2012 às 16:27
A cabeça gira, perdida em pensamentos. O sangue corre pelas veias, carregado de sensações. O coração bate acelerado. A pela sua, fria e pálida. A pupila dilata, preenchendo o castanho claro dos olhos de escuridão, preto. A respiração fica descompassada. A boca, seca. Os passos ficam desajeitados. A voz, que por tantas vezes serviu de arma impiedosa e ácida, não sai.

E eu fico lá, te olhando, sem saber o que fazer, o que dizer, onde por as minhas mãos. Não se te ignoro, se te dou "oi". Se saio correndo ou se choro. Fico parado, que nem um bobo, olhando para você. E a culpa é sua, toda sua. Você entra em mim e preenche cada espaço do meu corpo e do meu espírito. Você ocupa cada espaço destinado aos meus pensamentos e meu raciocínio. E eu fico quente, sentindo você.

E, como não faço nada, você vira as cosas e vai embora. E eu fico aqui, parado, enquanto você me abandona. Enquanto você sai de de mim.

E eu fico aqui, completamente em branco, um vazio.

Carne

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012 às 07:42
Um desejo forte, intenso, inexplicável. Um desejo que me move, me faz mover montanhas. Aquele desejo que deixa a minha visão turva, que me deixa cego, que não me faz ver claramente. O desejo mais instintivo que pode surgir, aquela vontade de tocar...

E o toque, quando acontece... uma descarga de energia, o calor da pele, o arrepio, os arrepios. A sensibilidade a mil, o sangue correndo dentro do meu corpo, meus estômago dando cambalhotas... E aquela vontade de gritar, vontade de rasgar a sua pele...

Não tem hora nem lugar pra isso acontecer. Eu te vejo e, de repente, é como se eu estivesse possuído por algo que me faz perder o controle. Em um instante, eu não sou mais eu. Sou um animal, uma besta, querendo gritar o seu nome, te caçando. Até você ser meu. 

A dança que nossos corpos fazem, o ritual, os olhares... é tudo primitivo demais. É algo que não aprendemos, a gente simplesmente sabe. É algo que ultrapassa nossa mente. É algo que grita de dentro da gente. É algo que está em nossa carne.

Porque eu posso

sexta-feira, 29 de julho de 2011 às 18:22
Por que eu posso. Tenho essa frase tatuada em inglês, em meu braço. Claro que ela não está ali simplesmente por estar, eu não seria louco de fazer isso. Essa frase representa muito para mim. Primeiro, é o nome de uma música da qual eu sempre gostei muito. Segundo, é o que eu penso sobre a minha vida.

Eventuamente, quando alguém me pergunta o que significa essa frase e eu faço a tradução, as pessoas acham que eu sou prepotente e pedante. Mas não é isso. "Porque eu posso" não quer dizer que eu faço tudo por que posso tudo. O significado vai um pouco além disso...

Acredito piamente que a maioria das pessoas sempre tenta atribuir valor demais as causas externas e a outras pessoas e acaba esquecendo de dar o devido valor a si próprio. "Ah, fui demitido por que meu chefe era um idiota". "Fulado terminou o namoro comigo por que não me amava mais". É sempre muito fácil jogar a culpa nos outros.

Mas e nós? Somos seres pensantes, partes desse sistema complexo e finito que chamamos de mundo, onde cada um representa um personagem principal dentro da sua própria vida e vários coadjuvantes dentro da vida dos outros. E o personagem principal tem esse nome por ser, justamente... principal. 

Somos NÓS que comandamos nossas vidas, não os outros. Se perdemos o emprego, talvez seja por que não nos esforçamos o suficiente pela vaga. Se o namoro chegou ao final, foi por que AMBAS as partes não investiram na relação de maneira certa e suficiente.

Mas claro que não somos somente culpados por nossas atitudes. Somos também premiados por grandes situações favoráveis a nós. Uma nota alta na escola é mérito do que aprendemos e estudamos. Um novo emprego é mérito nosso. Somos nós nós nós...

Então, quando perguntam sobre minha tatuagem, digo que a frase é no sentido de eu posso por que eu tomo conta da minha vida e meu futuro está sempre em minhas mãos. Por que eu posso. Por que nós podemos.

E daí?

domingo, 3 de julho de 2011 às 18:58
E daí se eu te amo de uma maneira tão insuportavelmente grande que, pra não te sufocar, prefiro nem te dizer? 
E daí se eu gosto de te ver pegar no sono nos meus braços? 
E daí se eu gosto de acordar e sentir o teu cheiro cru e puro logo pela manhã? 
Edaí se meu dia fica melhor quando você me dá um sorriso? 
E daí se o teu beijo tem um gosto de tudo o que é melhor nesse mundo? 
E daí se a cor dos teus olhos são motivos para os meus pensamento fugirem do controle? 
E daí se a tua pele tocando na minha causa arrepios, cócegas e mais mil sensações que eu nem sei descrever?
E daí se você já sabe disso tudo sem que eu precisa te dizer, por que eu não consigo esconder nada de ti?
E daí se mesmo eu sendo adulto, perto de ti, sou uma criança novamente? 

Eu não me importo, você não se importa. 
E a gente é feliz assim. 
Então, e daí?

Hoje é um bom dia!

sexta-feira, 6 de maio de 2011 às 09:52
Nos dias 4 e 5 de Maio de 2011, muitas pessoas tiveram seus dias extremamente normais. Vocês acordaram, saíram de suas camas, tomaram banho,fizeram a barba, tomaram café, trabalharam, foram a escola, almoçaram, conversaram com amigos e amigas, voltaram para casa, jantaram, descansaram e e dormiram. Vocês repetiram essa rotina no dia seguinte.

Mas os dias 4 e 5 de Maio de 2011 foram dias muito diferentes para outras pessoas. Nas tardes desses dias citados, 10 pessoas se reuniram com o intuito de debater e julgar um assunto um tanto polêmico nos dias atuais. Essas 10 pessoas eram ninguém menos que os 10 ministros que compõem o Supremo Tribunal Federal - o STF. E o tema a ser debatido era o reconhecimento jurídico da união estável homoafetiva no Brasil. 

Na tarde do dia 4, os ministros do STF mostraram seus argumentos, começando pelo relator do caso, o ministro Ayres Britto. Alguns apresentaram argumentos baseados em dados estatísticos, outros aprofundaram-se teoricamente e ainda, outros tantos convidaram representantes e autoridades no assunto para expressarem seu ponto de vista.

No dia 5, os ministros votam, um a um, se eram a favor ou contra o reconhecimento da união estável de casais homossexuais. Ao final da votação, tivemos 10 votos a favor. Zero voto contra. Assim sendo, passou a ser reconhecida judicialmente a união estável homoafetiva, no Brasil. 

Ao final do julgamento, o presidente do STF, o ministro Cezar Peluso, concluiu pedindo que o Congresso Nacional regulamente a conseqüência da decisão do STF, por meio de uma lei.

Abaixo seguem trechos de alguns dos discursos proferidos pelos ministros do STF:

“Onde há sociedade, há o direito. Se a sociedade evolui, o direito evolui. Os homoafetivos vieram aqui pleitear uma equiparação, que fossem reconhecidos à luz da comunhão que têm e acima de tudo porque querem erigir um projeto de vida. A Suprema Corte concederá aos homoafetivos mais que um projeto de vida, um projeto de felicidade” (Luiz Fux)

“Aqueles que fazem a opção pela união homoafetiva não podem ser desigualados da maioria. As escolhas pessoais livres e legítimas são plurais na sociedade e assim terão de ser entendidas como válidas. (...) O direito existe para a vida não é a vida que existe para o direito. Contra todas as formas de preconceitos há a Constituição Federal” (Cármen Lúcia)

“Estamos aqui diante de uma situação de descompasso em que o Direito não foi capaz de acompanhar as profundas mudanças sociais. Essas uniões sempre existiram e sempre existirão. O que muda é a forma como as sociedades as enxergam e vão enxergar em cada parte do mundo. Houve uma significativa mudança de paradigmas nas últimas duas décadas” (Joaquim Barbosa)

Agora, com essa união reconhecida, os casais homossexuais tem direito a herança, divisão parcial de bens, pensão alimentícia, dentre outras coisas...

Afinal, hoje é um bom dia.

Delírio no fim do dia.

quarta-feira, 4 de maio de 2011 às 12:08
Eu estou despido de todas as roupas, de todas as máscaras, das mentiras e da realidade. Assim eu viajo por mundos nunca antes vistos pelo homem. Aliás, o homem não chega a esses lugares. Eu sou o único lá, contigo. Mas não somos homens, humanos. Somos seres transcendentais que ultrapassam a compreensão dos outros. E somos felizes assim. Somos livres.

Fazemos o que quisermos, sem hora para dormir ou acordar, mesmo porque, o amanhecer do dia e a chegada da noite se confundem num céu, que troca de lugar com o chão e explode numa profusão de cores quentes e frias que se misturam, confundindo quem o vê. E só nós podemos ver isso.

As horas passam, as horas voltam. As horas dançam ao nosso redor, indo e vindo, como convidadas em nossa casa, que sentam-se conosco e tomam vinha, que vira água, que volta ser vinho, que se transforma em suco, que passa para qualquer outra bebida.  A realidade se confunde com a ilusão e nossa diversão é sem fim.

Temos pouco tempo e, ao mesmo tempo, temos o resto de nossas vidas. E somos felizes assim. Somos nossas âncoras. E quando precisamos, voltamos ao mundo real. Só nós dois. Eu e você. Para sempre. Sempre...

... Até a hora voltar.