Eu dormia com a TV ligada.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009 às 11:50
É tão estranho quando eu chego num lugar e vejo a alegria se dissipar de imediato. É como se houvesse, em mim, um buraco negro que sugasse toda a felicidade ao meu redor. E é o medo de realmente conseguir fazer isso e o fato de eu ser inseguro que faz com que isso realmente aconteça.
Quando ando sozinho pela rua a noite, quando eu dou um passo após o outro eu vejo as luzes dos postes se apagarem a medida que eu me aproximo e então eu tenho certeza de que nada ao meu redor pode ser claro. Se nem mesmo a luz pode existir perto de mim, quem dirá uma ideia clara. No início essa escuridão me perturbava. Eu olhava ao meu redor e só via o preto, o breu, o nada que me cercava e então, me encolhia de medo. A noite, só dormia com a TV ligada, precisava de luz vinda de algum lugar, por medo de eu mesmo ser sugado para dentro dessa minha própria escuridão.
Mas hoje eu aprendi a conviver com isso, eu sei que não vou ser sugado por algo que me faz ser quem eu sou. Aprendi a ser feliz assim e aprendi, acima de tudo a ver a luz e a felicidade a uma boa distancia. A uma distancia em que eu não possa sugar ela e uma distancia segura, de modo que, repentinamente, ela não vire a mesa e se transforme em magoa, alimentando o meu buraco negro de mais e mais escuridão.
E então eu aprendi a ser solitário. Confiar nas pessoas é algo que não posso fazer mais. Cada vez que isso acontece, alguém se fere, dando mais liberdade ao meu vazio que vai consumindo a vida dos outros também. E assim eu aprendi a não esperar por mais ninguém. Não espero por uma mão estendida, nem por um ombro amigo.
Quando ainda me sinto criança, com medo do escuro - e me sinto assim mais do que admito - eu saio de perto de todos e, novamente na minha cama, eu deito e espero a luz do dia, pra que assim ela alimente a minha escuridão e eu não me vá. E faço isso sempre com a TV ligada.