Marginal, com orgulho!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009 às 09:56
Padrão. Padrões. Muitos deles. Comportamento, beleza, funcionáio, aluno, carro, vida. Que tédio. E todos dizem que devemos seguir os padrões. E então temos aqui uma das maiores contradições do ser humano. Como que nos dizem para sermos originais e únicos e, ao mesmo tempo, para seguirmos as regras e os padrões?
Quem foi o filho da puta que disse que para sermos bonitos, devemos ter o uma barriga tanquinho, dentes perfeitamente emparelhados, olhos expressivos, um rosto sem marcas, cabelos sedosos, um corpo sem pêlos? Quem disse que para termos uma família exemplar, devemos ter pai, mãe, filhos e um bom relacionamento entre eles?
E o que acontece com o resto? Com os outros? Com quem não se sente a vontade em ser assim. O que acontece com aquele que reza dia após dia para que algo diferente ocorra em sua vida, ou então que simplesmente pega uma mochila e foge de casa, pois acha que sentar e esperar é uma perda de tempo.
E daí se o seu cabelo é diferente? Ele pode ser arrepiado, rosa, raspado, como você preferir. E daí se vocÊ está acima do peso? Existem inúmeras pessoas gordas, fofas e gordinhas que são charmosas e bonitas. E saúdáveis. Lembrem-se que magreza pode ser um sintôma de anorexia.
Mas aí vem eles - a sociedade - e te rotula. Você é gay, emo, gordo, nerd, feio, rebelde, doente, desleixado, alcolatra, drogado....

O mais interessante das pessoas é que olhamos para os defeitos dos outros por que temos muito mais medo de enfrentar os nossos próprios. Temos medo de olhar para dentro de nós e pensar "Merda, eu sou assim? E não posso mudar? O que as pessoas vão achar?"

Ah, o que as pessoas vão achar. Que se fodam as pessoas. Se cada um cuidasse da sua própria vida, o mundo seria um lugar muito menos poluido de maus pensamentos e más intenções. Sejamos livres. Não deveriamos traçar uma linha a ser seguida por todas. Por que no momento em que traçamos ela, jogamos a margem dela qualquer pessoa que não a siga. Temos os marginais. Pessoas a margem da sociedade.

Mas olhe ao seu redor, eles... nós estamos em todas as partes, existimos, temos vida, sentimentos, assim como todos vocês. Somos todos mais parecidos do que vocês podem achar. E eu, particularmente, não tenho vergonha em ser diferente, pensar diferente, ver o mundo diferente. Não tenho medo de falar o que penso por talvez ser mal interpretado. Eu tenho orgulho disso. Sou marginal sim. Com orgulho.

1 Responses to Marginal, com orgulho!

  1. Penso que todo mundo em algum momento se sente diferente dos demias, e nessas horas é comum nos punimos por nos sentirmos assim.

    Eu mesmo já fui muito insatisfeito com alguns dos meus padrões físicos e morais, alguns eu mudei, a maioria eu aceitei, no fim das contas aprendi a ser como eu sou.

    Na verdade eu sei que ainda tenho alguns aspectos do meu íntimo que estão sendo negligenciados nesse momento, estão "esquecidos" (só aparentemente, pois na verdade eu lembro muito bem deles, todos os dias). Eu digo a mim mesmo que me amo assim do jeito que eu sou, e me amo mesmo, mas tem coisas que eu queria que fossem diferentes aspectos que nao me satisfazem, aspectos que ainda nao trabalhei bem.

    Excetuando isso, não busco me parecer com o ideal que a sociedade acha que eu tenho que ser, procuro ser o que EU acho que tenho que ser.

    Por exemplo, meus amigos do colegio diziam que eu nao deveria ter medo de me apresentar em publico. E se eu disser que nao gosto disso, quem vai me obrigar a me apresentar...? DUVIDO! Outros dizem que eu bebo demais, mas onde está estabelecido a quantidade que se deve beber? Quem estabeleceu? E por que motivo eu deveria seguir isso? As respostas não convencem!

    Por que as pessoas olham pra mim e dizem: "bonito, mas é magro!" Por acaso eu TENHO que ser forte? Por que? Eu hein, acho isso muito louco... fábrica de clones?

    Fico imaginado se as pessoas fossem todas como bonecas (tem exemplo melhor que a barbie?). Imagine todas loiras de olhos azuis, sempre sorrindo, com o mesmo corpo, mesma altura e peso. QUE SACOOO! Eu não gostaria de morar na Suécia, prefiro a mistureba do meu Brasil!

    Precisamos entender que o que temos de diferente é o que nos torna especial! É difícil às vezes, mas a gente tem que se aceitar do jeito que a gente é.