Não é só a chuva.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010 às 18:10
Olhar pela janela, num dia chuvoso. Ver as gotas caindo uma a uma e se arrebentando no vidro. Eu olho a vida lá fora. Cada pessoa que passa correndo, desprevenida e sem proteção. Eu entendo essas pessoas, muitas vezes me sinto desprotegido. Sinto um diluvio de dúvidas que cai sobre minha cabeça. E vejo as gotas grandes e gordas molhando meu rosto já molhado de tanto chorar. Nesse ponto eu enxugo o rosto com a palma das minhas mãos, já não sei mais o que é lágrima e o que é gota da chuva.

Eu olho pela janela novamente, vejo algumas pessoas andando apressadas, com seus guarda-chuvas tão grandes que parecem guarda-sol. Vejo elas se protegendo exageradamente, como se tivessem medo de serem atingidas por algo maior. Mas de nada adianta, se cair algo além da água, nada pode proteger. A gente não pode mais se proteger, a água cai, algumas ideias e sentimentos inundam a nossa alma. É difícil segurar o que vem de dentro.

Pior que uma enchente, pior que um diluvio ou um cataclisma atmosférico. Pior do que tudo, é a catástrofe que vem de nós. A enchente interna. Seguramos até o último minuto por que a gente acha que não é certo dar vazão aos sentimentos ou por que alguém já fez pouco caso do que sentimos. Então, eternamente guardamos para nós. Eternamente, até a próxima chuva.
domingo, 24 de janeiro de 2010 às 17:16
Isso talvez seja um desabafo.

Devido a algumas coisas que aconteceram comigo (nada em plano físico, estou falando somente do meu psicológico) e a algumas coisas que falaram para mim, não me sinto confortável para escrever no momento. Então, por hora, o blog está fechado. Em breve, quando eu estiver afim, volto a postar textos meus.

Gostaria apenas de dizer duas coisas: Nunca gostei de interpretação de texto, na verdade era por isso que eu odiava as aulas de literatura. Muitas vezes as pessoas fazem uma interpretação, acham que arrasaram no que pensaram e estão completamente enganadas. Meus textos não são racionais, não são feitos para serem interpretados. Eles são simplesmente uma válvuka de escape para o que eu sinto. Então, não interpretem meus texto. Sintam ele. E, acima de tudo, não me interpretem.

A segunda coisa que eu gostaria de dizer é para quem estiver lendo isso, não se sintam ofendidos pessoalmente, acreditem ou não, mais de uma pessoa tem peso nisso. Talvez eu seja a principal. Então, apenas aceitem.

Obrigado.

Aquela vontade que vem do nada

terça-feira, 19 de janeiro de 2010 às 19:32
Detesto aquelas vontades que vem do nada. Isso porque geralmente elas surgem em momento inapropriados. Aquela vontade de tomar um pote inteiro de sorvete, em pleno inverno. Vontade de caminhar na praia, mas num dia chuvoso. Querer estar em casa, dormindo ou assistindo a um filme, quando você está viajando a trabalho.

Parece que essas vontades vêm só para lembrar tantas coisas boas que eu gosto de fazer. Tantas coisas que, quando eu faço, não dou o devido valor. E então deixo passar tudo isso batido. Mas quando eu menos espero, lá está ela.... aquela vontade insana de fazer algo, só por que o momento não permite ou por que é proibido.

As vezes me dá vontade de beijar alguém na rua, só por que eu achei a pessoa bonita. E minha mente viaja, imaginando mil coisas que poderiam acontecer por causa daquele beijo. Eventualmente eu tenho vontade de ajudar a todos, mesmo quando não posso.. dar esmola a todos os pobres que mendigam na rua, acolher todos os cachorrinhos e gatinhos que estão abandonados, ouvir cada pessoa do mundo falar dos seus problemas. Mas não posso, não consigo fazer isso.

Mesmo por que eu tenho meus próprios problemas. E as vezes tenho que deixar a vontade de lado e fazer o necessário antes.

E de todas as vontades que vem do nada, a que eu mais odeio é aquela vontade louca, passional, desesperada e incontrolável de te ver.

Não sou eu quando você está perto

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010 às 08:42
Eu posso passar horas nessa espera insana. Posso ficar sentado te esperando o tempo que for. Eu fico na frente do computador esperando aquela maldita janelinha do msn subir para saber que posso falar contigo. Mas quando você aparece, não sei o que falar.

A tua presença me deixa entorpecido. Eu fico bobo, gago, idiota, retardado. Não sei o que falar. De repente eu, que sempre tenho algo a dizer, me torno uma pessoa nula. A tua presença me atropela todo e qualquer pensamento que possa simplesmente querer aflorar. E sem minhas palavras, minhas ideias... sem isso eu me sinto tão vulnerável.

Eu passo uma lista completa pela mina cabeça, de coisas que eu posso dizer. Todas seriam perfeitas. Mas para mim parecem frases sem sentido. E eu mergulho nesse mar de sentimento que acaba me inundando sem que eu perceba direito o que me aconteceu. Quando dou por mim, já estou bem novamente, mas você não está mais por perto.

Volto a ser eu novamente. E volto a ser eu, sem você. Talvez não haja um eu, contigo. E, por várias vezes eu já pensei em mandar tudo se foder, em falar o que eu acho. Afinal, você deve gostar de mim pelo que eu sou, certo? Então por que naquele minuto eu posso ser tudo o que você quiser, menos eu mesmo?

"Foda-se", posso pensar. "Você não me merece", eu digo.

Mas no fim, tudo o que eu realmente quero é que você olhe pra mim.

Bicho da noite

sábado, 9 de janeiro de 2010 às 15:53
A noite está quente. Andando pela calçada na beira da praia, eu sinto a brisa morna batendo no meu rosto. A madrugada já começou a muito tempo. E mesmo tendo muitas pessoas na rua, eu estou só. Não me sinto mal por isso. Na verdade, esse é um dos poucos momentos em que eu me sinto completo.

Adoro andar a noite, sozinho, olhando o céu estrelado e sentindo aquele vento gostoso batendo em mim. As pessoas passam por mim. Algumas olham, outras ignoram. Eu, particularmente ignoro todas elas. Eu já sei qual será o desfecho dessa noite. Continuo andando mais um pouco.

Meu pé esquedo dói. Maldita hora que machuquei ele quando era criança. Agora ele me encomoda bastante. Tentei passar a noite dançando. Ele doeu. Depois tentei passar a noite bebendo, mas confesso que não vejo um ponto nisso. Por fim, tentei passar a noite beijando. Mas duas coisas me impediram...

Meu medo de ser rejeitado...
Minha crítica exarcebada...

Aqueles que eu julgo serem bons pra mim, tenho medo de não me quererem. Aqueles que me querem, não os julgo ao meu nível. Então saí. Estou novamente no início desse texto. O vento, a noite, a solidão... Tudo criando um imenso conforto ao meu redor.

Sento num banco imaginando os outros. Amigos meus. O que cada um está fazendo naquele instante. Será que eu gostaria de alguém pra conversar? Não. Quero ir pra casa. E vou pra casa. A praia continua com suas ondas baixas quebrando silenciosamente para não acordar quem dorme naquele momento. Logo eu mesmo estarei dormindo.

Minha casa está um silêncio. Meus pais dormem. A sala está na penumbra e é assim que eu mais gosto dela. Ligo a TV e procuro qualquer coisa para assistir. Pego um copo d'agua para beber. Faço tudo no maior silêncio. Não quero acordar ninguém. Quero ficar sozinho, em meu silêncio, imerso na minha própria escuridão.

Assisto o que estiver passando até me cansar. E, na verdade, me canso rapidamente. TV sempre me enche o saco. Então vou me deitar. E o escuro do meu quarto é tão agradável. É a cena de qualquer dia que mais me comove. Eu sei que em poucos momentos estarei num mundo distante, de sonhos.

Pois, na verdade, sou um bicho da noite. Adoro caminhar por entre sombras e escuridão.

Sobre a vida

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 às 19:22
Esses são os dias que nós estamos vivendo. Há quem olhe ao redor e só enxergue desgraças. Pessoas morrendo, mentindo, traindo, abusando de outras pessoas. Alguns ainda se questionam por que raios nasceram. As vezes teria sido melhor se poupar de existir. Há de se pensar, inclusive, que toda a nossa existencia possa ser errada.

Acho então que eu sou um dos poucos otimistas que ainda sobraram. Particularmente a vida me fascina. Ela tem seus momento ruins? Claro! Mas o que seriam das coisas boas, se não houvessem as ruins para serem feitas as devidas comparações. Sem o ruim, o bom seria apenar.. normal. E só deus sabe como o normal me entedia.

E é por isso mesmo que eu gosto da vida, por ela ser totalmente fora do normal. A vida não é um plano de carreira que possa ser seguido passo a passo. Nem uma viagem de ônibus, que você sabe exatamente onde vai passar. Não... a vida é qualquer coisa menos uma rotina.

Se você está num dia ruim, durma. O próximo vai ser melhor. "Há, eu não queria ter nascido", pode dizer alguém. Lamento querido, mas já aconteceu. E já que você existe, que tal tentar fazer da sua vida, algo de útil? Pelo menos assim você pode fazer outra pessoa deixar de pensar como você.

Se está doente, lute pela cura. Se está triste, lute pela felicidade. Se está com fome, lute por comida. Se está sozinho, lute por uma amizade. Existem sim, batalhas que valem a pena ser travadas. Talvez as maiores batalhas nunca estejam nos livros de história da nossa escola. Por que essas batalhas ocorrem dentro de nós, todos os dias.

Por isso, faça da vida algo divertido. Se tombar, levante-se, tire a poeira dos joelhos, enxugue a lágrima e olhe para frente. Faça do mundo, um palco de teatro e, da vida, um espetáculo. Você pode ser quem quiser.

Afinal, a vida é somente a vida. Cabe a nós fazê-la divertida.

Pronto.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010 às 17:41
Eu sinto saudades daquele sorriso que eu nunca vi. Aquele que sorri quando os seus olhos estão próximos aos meus, depois de um beijo. O sorriso que faz eu me sentir seguro comigo, contigo e com o resto do mundo. O sorriso que me acalma e me faz acreditar em tudo o que é mais puro e feliz.

Eu queria poder olhar para o lado e ver alguém. E saber que esse alguém está ali por mim, para mim. Assim como eu queria estar ali por essa pessoa. Quero alguém.

As vezes eu duvido de mim. Fico entre o sim e o não. E a dúvida me atormenta tanto que nem mesmo dormindo deixo de pensar nela. Sonhos me acalentam até o monento em que eu acordo e descubro que era tudo fantasia. As vezes pesadelos me perseguem fazendo achar que não vou ter ninguém para mim.

Mas no fim, eu ainda acredito que você existe. Que você está em algum lugar. E eu estou aqui te esperando, ok? Eu estou pronto.