Não é só a chuva.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010 às 18:10
Olhar pela janela, num dia chuvoso. Ver as gotas caindo uma a uma e se arrebentando no vidro. Eu olho a vida lá fora. Cada pessoa que passa correndo, desprevenida e sem proteção. Eu entendo essas pessoas, muitas vezes me sinto desprotegido. Sinto um diluvio de dúvidas que cai sobre minha cabeça. E vejo as gotas grandes e gordas molhando meu rosto já molhado de tanto chorar. Nesse ponto eu enxugo o rosto com a palma das minhas mãos, já não sei mais o que é lágrima e o que é gota da chuva.

Eu olho pela janela novamente, vejo algumas pessoas andando apressadas, com seus guarda-chuvas tão grandes que parecem guarda-sol. Vejo elas se protegendo exageradamente, como se tivessem medo de serem atingidas por algo maior. Mas de nada adianta, se cair algo além da água, nada pode proteger. A gente não pode mais se proteger, a água cai, algumas ideias e sentimentos inundam a nossa alma. É difícil segurar o que vem de dentro.

Pior que uma enchente, pior que um diluvio ou um cataclisma atmosférico. Pior do que tudo, é a catástrofe que vem de nós. A enchente interna. Seguramos até o último minuto por que a gente acha que não é certo dar vazão aos sentimentos ou por que alguém já fez pouco caso do que sentimos. Então, eternamente guardamos para nós. Eternamente, até a próxima chuva.