Nem tão bom assim...

segunda-feira, 15 de março de 2010 às 09:25
É assim, sem mais nem menos, que termina mais um relacionamento. Pode ser um namoro, um noivado, até mesmo um casamento. Ele terminou. Mas tinha que ser um relacionamento de verdade. Você tinha que amar a outra pessoa pra caralho e estar extremamente envolvido com ela.

Tá, pode até ter sido você mesmo quem terminou a relação, por qualquer motivo. Mas se você realmente amava a pessoa com quem estava, você VAI sofrer. E não me venha dizer que não. Que está tudo bem. Que você já está olhando para frente. Que no horizonte nasce um novo dia cheio de novas possibilidades. Eu simplesmente não acredito. NÃO ACREDITO. Você está mal. E com razão. Afinal, você não está mais ao lado da pessoa que você ama.

Pare por um segundo e pense: Como é, num segundo você tem alguém muito especial contigo. Em seguida, não tem mais. Corte seu braço fora. Talvez a perda seja mais ou menos a mesma. Claro que um braço sempre vale menos. Ou não?

Enfim, vocês terminaram. E você está sofrendo. Não? Desculpe, mas você está. No máximo, está guardando este sofrimento para você mesmo. Está tentando maquiá-lo. Mas não adianta, cedo ou tarde ele virá. É um direito e uma condição obrigatória a nós. Temos que sofrer por um amor partido para podermos nos recuperar dele. Então pense assim, quanto antes o sofrimento vier, antes ele passará.

Então sofra, chore, ligue pra seu melhor amigo no meio da madrugada, acorde ele, chore e fale que você quer morrer, que sua vida não tem mais sentido. Fale que tudo perdeu a cor ao seu redor. Que qualquer coisa que você escute/cheire/olhe/coma/encoste te lembra o seu (ex)amor. Coma barras e mais barras de chocolate. Assista filmes melosos só para ficar com inveja dos finais felizes. Depois corra horas numa esteira de acadêmia para poder dissipar toda sua raiva. Ligue para o ex, fale que você ainda o ama. Deixa milhares de recados na sua caixa postal. Depois tente entrar na casa dele com a sua cópia da chave (viu como foi bom não ter devolvido ela ainda?) só para apagar os recados.

E então chega. Hora de começar a melhorar. Depois desse período de sofrimento (quando tempo? dias, meses, anos?) algo começa a mudar. Logo no início é uma mudança extremamente sutíl. Você mal percebe ela. Os pássaros estão cantando lá fora. Mas e daí? Provavelmente ele estão só tirando sarro da sua cara por você estar só e abandonada.

E olhe, sua TV voltou a ter cores. Alias, sua casa também. E o resto do mundo. As pessoas sorriem para você ao te cumprimentarem. E então você esbarra nele um dia, andando na rua. Voltamos ao processo do sofrimento. Repetir todas as etapas até aqui.

Ok, repetido? Então temos os pássaros cantando e as cores do mundo. Cuidado para não esbarrar nele novamente. Você consegue ir a casa dos seus amigos para jantar. Nada de festas ainda, é uma incursão social muito forte. Mas um jantar até que rola, né?

E agora você se livre de todas as barras de chocolate que não comeu - mas deixa uma guardada, para depois do jantar. E você volta a trabalhar/estudar - sim, você estava até indo para o trabalho ou escola, mas convenhamos que sua cabeça mal funcionava.

E num belo dia, algum tempo depois, você acorda bem. Você se sente nu e vulnerável. Algo está faltando, mas o que? Você se agarra com todas as forças àquele último fiapo de sofrimento que ainda existia, mas ele acaba se desfazendo. E então você está bem. Você o superou.

Se pararmos para comparar, depois de tudo isso, meses após o fim do relacionamento, estamos sempre mais fortes. Tanto que sempre estamos prontos para um próximo. E aquele sofrimento que parecia interminável, terminou. A sensação de que o mundo girava enquanto nós estavamos estáticos, bom, era verdade. Mas surpresa! Estamos caminhando com o mundo novamente.

As tristes memórias que alimentávamos e acariciávamos com todo nosso sofrimento se foram. Elas ainda estão conosco. Ainda podemos nos lembrar de todas elas. Mas, ao olharmos para trás, essas tristes memórias acabam se tornando lembranças. De certo modo amarguradas, é claro. Mas lembranças gostosas de um tempo bom que já foi vivido, um ciclo encerrado. E é hora de começar um novo.

E então, num belo dia, caminhando na rua, você encontra seu ex. Você tem duas opções. Você surta e volta a estaca zero e repete tudo o que foi dito até aqui, quantas vezes precisar. Ou você olha para ele, dá um leve sorriso envergonhado, cumprimenta, sai andando e pensa...

"É.. Afinal, ele nem era tão bom de cama assim."

O Paradoxo do Amor.

terça-feira, 9 de março de 2010 às 18:52
O amor é errado. Indo contra todas as probabilidades, o amor raramente dá certo. E nós, teimosos como somos, ainda insistimos nele. Somos tolos. Somos escravos de um sentimento tão estranho que, para funcionar, precisa de duas pessoas.

Sejamos todos alegres, contentes. Não, somos cabeça-duras que preferimos amar. Alguns vem até com aquela conversinha clichê de que "só é completo quem tem um amor".

Mas o amor é como uma criança malvada, mimada. Ele faz de tudo para que a gente faça de tudo. E no fim, não sobra nada. E as pessoas nos olham com pena. E a tal criança mimada ri da nossa cara.

O amor nos deixa cegos. Só temos olhos para a pessoa amada. Ele nos deixa bobos, sem fala e sem reação. É sempre um caso terminar de idiotice aguda. O amor tem péssima pontaria, as vezes. A ama B, que ama C, que ama A. E ninguém é tão autosuficiente a ponto de só se amar por toda uma vida.

E para o nosso azar, o amor é tão constante quando a necessidade que a gente tem de respirar. Podemos deixar de nos apaixonar, mas amando nós sempre estaremos. E mesmo sabendo de tudo isso, fechamos nossos olhos e nos jogamos de cara no amor, esperando que ele nos agarre.

Somos tolos, ingênuos. O amor é numericamente uma merda. Tentamos várias vezes para apenas uma dar certo, ou as vezes, nenhuma. Mas ele é qualitativamente bom. Por que quando essa uma vez dá certo... Só posso dizer que eu também sou um tolo.