O dilema do copo

domingo, 4 de abril de 2010 às 17:17
Eu nunca gostei de algo feito pela metade. Na verdade, eu acho frustrante. É aquela velha história do copo que está até a metade com água. Daí se pergunta: o copo está meio cheio ou meio vazio? E daí eu pergunto, uma meia verdade é mais verdade ou mais mentira?

Não gosto de amizades que são pela metade, onde só podemos confiar até um ponto no nosso amigo. Gosto quando eles se entregam por completo para nós e, assim, fazem com que eu me entregue completamente também. Por que uma meia amizade é também uma meia desconfiança.

E os meio honrados, meio dignos, meio honesto? Serão eles homens de verdade ou apenas carcaças cheias do mais puro descaso que a humanidade pode presenciar. E não há também meio altruísmo ou meio egoísmo. Há o completo, a devoção. E um não exclui o outro, pois todo altruísmo é um pouco egoísta.

E o amor.... Quem ama pela metade, ama? Ou é apenas uma paixão? É possível amar até um ponto e dali não passar? Não. Por isso eu digo que eu gosto dos extremos.

Comigo é sempre assim: vai ou racha, oito ou oitenta. Prefiro uma decepção completa do que uma meia conquista. Eu não sei medir termos. Ou eu gosto, ou não gosto. E quero que seja assim comigo também. Me amem ou me odeiem. Detesto a indiferença. Aliás, ela nada mais é do que o meio dos meios.

Quem está no meio do caminho, não chegou aonde está indo mas está longe demais para voltar ao ponto de partida. E o meio da encruzilhada é uma dúvida a ser resolvida. Quem fica no meio, não chega a lugar nenhum.

Meios limites não são limites, mesmo. Meio poder é uma total ausência dele. É figuração.

E por isso, se me perguntam, o copo está meio cheio ou meio vazio, eu respondo:
- O meu? Ele estava totalmente cheio. Quem foi o infeliz que bebeu dele?

1 Responses to O dilema do copo

  1. Cíntia Says:

    finalmente achei um ser que pensa como eu! pessoa dos extremos... falou bem Pê, adoro teus textos e tu sabe disso :D