Quem sou eu?

domingo, 25 de julho de 2010 às 21:09
Pouco me importa quem sou eu. Me definir não mudaria nada em minha vida. Conseguir me encaixar ou fugir totalmente das convenções, qual é o propósito? Se há tanto pos aí já fazendo isso por mim, sem que eu peça, por que devo me preocupar em me definir?

É divertido, confortável viver sem saber quem eu sou. A cada dia, quando acordo, me surpreendo com uma nova atitude, sou um desconhecido para mim e nunca sei o que esperar. Nunca sei quando venho de bom humor ou de mal humor. Se vou acordar disposto ou já cansado. Afinal, não me conheço.

As vezes tenho a impressão que eu já me vi antes. Quando olho no espelho, tenho quase certeza que já vi aquela pessoa que me encara com a face mimetizando a minha, mas não.. era só alguém parecido. Sou um anônimo, sou sem nome, sou desconhecido. Se nem eu me conheço, quem dirá os outros, aqueles que tentam me dizer quem sou.

Tentam dizer que sou homem, que sou boa pessoa, que sou estudioso, um devasso, sem rumo, certo, errado, louco, sóbrio, são, medroso ou corajoso. Pouco importa. Definições são palavras e pessoas são atitutes. Impossível dizer quem é quem. Hoje posso ser eu mesmo, amanhã alguém completamente novo. Posso ser você enquanto você sou eu.

Podemos ser quem a gente quiser. É só querer. E não nos atermos as definição. E no final das contas, depois de tantos ditos e não ditos, quando deitamos a cabeça no travesseiro e dormimos, a espera de um novo dia para sermos outro novamente.. nessa hora, somos ninguém... somos nada.

Bicho Estranho

sexta-feira, 23 de julho de 2010 às 22:38
O ser humano é, definitivamente, um bicho estranho e que não deixa de me surpreender a cada dia. E sim, eu me incluo nisso tudo. As vezes eu mesmo me surpreendo com certas atitudes que eu jamais imaginei que fosse tomar.

Mas somos tão estranho que chegamos ao ponto de fingir sermos o que nunca fomos pelo simples fato de que essa imagem falsa agrada aos outros. Até certo ponto, fingir um pouco, para você parecer melhor, mais educado, mais legal ou para impressionar alguém, é algo aceitável. Mas, a partir do momento de que você veste uma máscara e assume uma postura que não é em nada parecida com a sua, aí você está exagerando. E pior, muitas vezes fazemos isso para agradar a quem nem conhecemos.

E daí se a sociedade diz que você tem que ser heterossexual, casar, ter um bom emprego, filhos, não pode gostar de sadomasoquismo, deve ser saudável, etc... Ir contra a corrente faz bem, se isso significar que você é simplesmente você. Muitas vezes vemos pessoas deprimidas, se suicidando ou simplesmente sucumbindo pouco a pouco, até morrer. E aí dizem "ah, esse estava com problemas sérios". Quem sabe se essa pessoa não tivesse sufocado a voz dentro dela, gritando desesperadapemente por um pouco de ar.. quem sabe se assim essa pessoa não estivesse viva.

O que mais me irrita no ser humano é essa mania irracional e que, confesso, não sei aonde surgiu, de querermos controlar a vida alheia. Para mim, pouco importa se fulano é gay ou divorciado ou milhonario. Se ele segue a vida dele sem interferir na minha, não vejo o menor motivo para interferir na dele. E assim deviamos ser todos. Respeitar o espaço e sabermos aonde pisamos.

Mas muita gente já disse isso. Um até foi crucificado por dizer que, só para variar um pouco, poderiamos ser legais uns com os outros. Eu só sou mais um dentre muitos que repete esse mantra. E o ser humano, que tanto se orgulha de ser um animal racional, aparentemente ainda não entendeu essa mensagem.

É.. definitivamente somos um bicho estranho.

Ambiguidade

domingo, 18 de julho de 2010 às 18:00
Nunca fui muito fã de super-heróis. Talvez porque eles sempre são muito certinhos, caretas, só querem o bem e são incapazes de machucar uma formiga (embora desçam o cacete nos super-vilões, as vezes). Um super-herói quase sempre tem um disfarce ridiculo, com cores que chamam a atenção. Ele normalmente morre de amores por uma garota igualmente sem sal, sem graça e sem bom senso.

Ao mesmo tempo, nunca gostei dos super-vilões. Acho eles muito egocentricos e narcisistas. São metidos, tem complexo de superioridade, não tem compaixão e odeiam a tudo e a todos. Aliás, por que eles sempre querem dominar o mundo? Qual é a deles? O mundo é muitto grande pra você comandar. Por favor, domine um país, um estado. UMA CIDADE!! O simplesmente tente ser um prefeito.

Mas o maior motivo para eu não gostar de nenhum desses dois tipos de personagem é o fato de eles serem extremamente irreais. Eles não existem no dia a dia. E não falo dos superpoderes, mas sim da personalidade. NINGUÉM é bom ou mau a todo o momento. Somos seres humanos, maliciosos, maquiavélicos, interesseiros e ambivalentes. Mudamos de atitude e de opinião como nos convém. E não há nada de errado nisso. Ninguém nos condena. As vezes, é necessário ser maldoso para sobreviver. Um cordeiro no meio de lobos não vai muito longe.

E as vezes é bom ser bom. A bondade gera bondade. Um favor por outro favor. E assim vamos caminhando. Nem bons, nem maus. Nem batman, nem coringa. Somos o meio termo do caráter. Somos humanos.