Mais do mesmo

terça-feira, 30 de novembro de 2010 às 08:17
Eu não gosto de pouco. Nem de mais ou menos, médio. Quero muito, muito de tudo. Não me contento com um pouco de atenção, quero todos olhando para mim. Não gosto de um pouco de amor, quero o maior do mundo.

Não gosto de comer ou beber pouco. Como para engordar mesmo e bebo até cair. Gosto demais dos meus amigos, sou dependente demais, explosivo demais, temperamental demais. Sou mais que demais em tudo. Nunca conheci meios termos. Sou sempre oitenta.

Não sei e nem quero medir palavras. Falo tudo e mais um pouco. Ou você me ama ou me odeia. Não tenho problema com quem não gosta de mim. Desde que não me goste por completo. Nada de "Ah, não vou muito pra cara dele, mas é só ele não mexer comigo que eu não faço nada". Brigue comigo.

Quem sente pouco não está vivo, na verdade. Gosto do exagero por que sei que assim eu ainda tenho um coração que bate incansávelmente. Bate muito, bate forte. O sangue pulsa em minhas veias, correndo em cada parte do meu corpo e gritando "MAIS MAIS MAIS". E é isso, eu quero mais, sempre mais...

Por que só uma pessoa? Só um amor? Só uma vida? Só um amigo? Só uma família. Sou eu quem está aqui dentro desse corpo - e parando para pensar, por que só um corpo? - e eu faço o que bem entender.

MAIS, MAIS, MAIS e MAIS...

Insonia

quinta-feira, 18 de novembro de 2010 às 17:17
Eu deito para dormir. Já é tarde da noite e eu estou morrendo de sono. Sinto cada centímetro do meu corpo pedindo por, pelo menos, algumas horas de descanso. Eu passo o dia correndo, fazendo coisas que eu tenho que fazer. Resolvendo problemas, estudando trabalhando...

E minha mente é invertida. Quando eu estou fora, no mundo... quando eu devo me concentrar, é como se eu entrasse no automático. Eu simplesmente entro no dia e chego ao seu final sem me dar conta disso. É como se eu desse meu corpo para outra pessoa por algumas horas. E então, a noite, me devolvem.

E eu estou cansado, com sono, sujo, com fome. Tomo banho, como algo e vou para a cama. Mas ao me deitar, não desligo, como deveria. O "piloto automático" desliga. E então eu tomo consciência de tudo o que fiz. De cada palavra que eu disse e cada gesto que fiz. Eu deito e começo a pensar em tudo que poderia ter sido e não foi. Em tudo que foi e não deveria ter sido. Penso, penso e penso. E rolo na cama, exausto e com os meus pensamentos pipocando em minha mente de maneira aleatória, desordenada e constante.

Preciso desligar, preciso dormir. Amanhã é outro dia no automático até chegar a nova noite e voltar a pensar. Penso em tudo, em todos. E então penso que eu vi ele durante o dia. E não falei com ele. Mas eu nem o conheço mesmo. Mas eu o vi. Ele me chamou a atenção. Quem é, afinal? Não sei, mas gostei. E passo mais uma hora pensando nisso. E finalmente durmo, mas não paro de pensar. 

Tudo continua, nos meus sonhos.

Caixas e mais caixas

às 05:35
Nós temos medo do que não conhecemos. E acho que, a partir daí, resolvemos então, classificar tudo o que vemos, ouvimos, sentimos, etc. Por exemplo, se temos vontade de meter um soco no meio da cara de alguém, classificamos isso como raiva. Se temos vontade de estar com uma pessoa e beijar ela, é amor. Se um homem beija mulheres, é heterossexual. Se uma mulher beija muitos homens, é piranha. Se um homem beija outro homem, é gay. Duas mulheres, lésbicas. 

O que não gostamos, é ruim. O que gostamos, bom. O resto, indiferente. O que falamos é certo. O que os outros falam, é errado. E por aí vai...

Mas por que é tão forte essa nossa necessidade de simplesmente classificar tudo. Algumas coisas são simples e PODEM ser classificadas. O que é amarelo, é amarelo e pronto. Não tem muita discussão. Mas tentar colocar sentimentos em caixas. "Eu te odeio, eu te amo, eu tenho saudades, eu te adoro, eu te quero bem, eu te quero mal, eu te quero perto/longe de mim". Por que simplesmente colocar tudo isso em caixas e mais caixas? Não seria melhor, simplesmente, sentirmos tudo isso, sem questionar o que é?

E acabamos sempre errando. Nem sempre é tão simples assim. Ok, eu beijo garotos e sou gay. E se amanhã eu acabar me casando com uma mulher e realmente amar ela? Então eu ERA gay? SOU bissexual? Foi só uma fase? Entendem? Não é tão simples.

Então vamos parar de colocar tudo em caixas. Vamos abrir as caixas já fechadas e vamos simplesmente deixar a vida seguir o seu curso e aceitar o que nos é dado. Vamos parar de nos importar com O QUE somos. Mas vamos nos importar com QUEM somos. Com o que cada um pode fazer. E vamos parar com a hipocrisia e começar a olhar nosso próprio umbigo em vez de julgar o próximo.

Saia da caixa. Lembre-se. Quem, e não o que você é.