Caixas e mais caixas

quinta-feira, 18 de novembro de 2010 às 05:35
Nós temos medo do que não conhecemos. E acho que, a partir daí, resolvemos então, classificar tudo o que vemos, ouvimos, sentimos, etc. Por exemplo, se temos vontade de meter um soco no meio da cara de alguém, classificamos isso como raiva. Se temos vontade de estar com uma pessoa e beijar ela, é amor. Se um homem beija mulheres, é heterossexual. Se uma mulher beija muitos homens, é piranha. Se um homem beija outro homem, é gay. Duas mulheres, lésbicas. 

O que não gostamos, é ruim. O que gostamos, bom. O resto, indiferente. O que falamos é certo. O que os outros falam, é errado. E por aí vai...

Mas por que é tão forte essa nossa necessidade de simplesmente classificar tudo. Algumas coisas são simples e PODEM ser classificadas. O que é amarelo, é amarelo e pronto. Não tem muita discussão. Mas tentar colocar sentimentos em caixas. "Eu te odeio, eu te amo, eu tenho saudades, eu te adoro, eu te quero bem, eu te quero mal, eu te quero perto/longe de mim". Por que simplesmente colocar tudo isso em caixas e mais caixas? Não seria melhor, simplesmente, sentirmos tudo isso, sem questionar o que é?

E acabamos sempre errando. Nem sempre é tão simples assim. Ok, eu beijo garotos e sou gay. E se amanhã eu acabar me casando com uma mulher e realmente amar ela? Então eu ERA gay? SOU bissexual? Foi só uma fase? Entendem? Não é tão simples.

Então vamos parar de colocar tudo em caixas. Vamos abrir as caixas já fechadas e vamos simplesmente deixar a vida seguir o seu curso e aceitar o que nos é dado. Vamos parar de nos importar com O QUE somos. Mas vamos nos importar com QUEM somos. Com o que cada um pode fazer. E vamos parar com a hipocrisia e começar a olhar nosso próprio umbigo em vez de julgar o próximo.

Saia da caixa. Lembre-se. Quem, e não o que você é.

1 Responses to Caixas e mais caixas

  1. Pensei que isso aqui tinha sido abandonado... Pelo que vejo ainda pulsa alguma vida, ainda bem.



    Ontem eu escrevi um texto que fala mais ou menos isso, "Entre o oito e o oitenta", nele eu falo que entre um extremo e outro há um enorme espectro, e estamos sempre aí em algum lugar dele.

    Eu acho que as pessoas não podem ser tratadas como miçangas coloridas que separamos em caixinhas individuais. Cada um tem sua complexidade e ninguém vai ser completamente igual a ponto de poder ficar na mesma caixa.

    Sendo assim deveríamos pegar uma caixa bem grande e jogar todo mundo lá dentro, sem divisórias ou compartimentos.

    Porque o ser humano tem a nescessidade de classificar tudo? Por que queremos entender tudo?