Porque eu posso

sexta-feira, 29 de julho de 2011 às 18:22
Por que eu posso. Tenho essa frase tatuada em inglês, em meu braço. Claro que ela não está ali simplesmente por estar, eu não seria louco de fazer isso. Essa frase representa muito para mim. Primeiro, é o nome de uma música da qual eu sempre gostei muito. Segundo, é o que eu penso sobre a minha vida.

Eventuamente, quando alguém me pergunta o que significa essa frase e eu faço a tradução, as pessoas acham que eu sou prepotente e pedante. Mas não é isso. "Porque eu posso" não quer dizer que eu faço tudo por que posso tudo. O significado vai um pouco além disso...

Acredito piamente que a maioria das pessoas sempre tenta atribuir valor demais as causas externas e a outras pessoas e acaba esquecendo de dar o devido valor a si próprio. "Ah, fui demitido por que meu chefe era um idiota". "Fulado terminou o namoro comigo por que não me amava mais". É sempre muito fácil jogar a culpa nos outros.

Mas e nós? Somos seres pensantes, partes desse sistema complexo e finito que chamamos de mundo, onde cada um representa um personagem principal dentro da sua própria vida e vários coadjuvantes dentro da vida dos outros. E o personagem principal tem esse nome por ser, justamente... principal. 

Somos NÓS que comandamos nossas vidas, não os outros. Se perdemos o emprego, talvez seja por que não nos esforçamos o suficiente pela vaga. Se o namoro chegou ao final, foi por que AMBAS as partes não investiram na relação de maneira certa e suficiente.

Mas claro que não somos somente culpados por nossas atitudes. Somos também premiados por grandes situações favoráveis a nós. Uma nota alta na escola é mérito do que aprendemos e estudamos. Um novo emprego é mérito nosso. Somos nós nós nós...

Então, quando perguntam sobre minha tatuagem, digo que a frase é no sentido de eu posso por que eu tomo conta da minha vida e meu futuro está sempre em minhas mãos. Por que eu posso. Por que nós podemos.

E daí?

domingo, 3 de julho de 2011 às 18:58
E daí se eu te amo de uma maneira tão insuportavelmente grande que, pra não te sufocar, prefiro nem te dizer? 
E daí se eu gosto de te ver pegar no sono nos meus braços? 
E daí se eu gosto de acordar e sentir o teu cheiro cru e puro logo pela manhã? 
Edaí se meu dia fica melhor quando você me dá um sorriso? 
E daí se o teu beijo tem um gosto de tudo o que é melhor nesse mundo? 
E daí se a cor dos teus olhos são motivos para os meus pensamento fugirem do controle? 
E daí se a tua pele tocando na minha causa arrepios, cócegas e mais mil sensações que eu nem sei descrever?
E daí se você já sabe disso tudo sem que eu precisa te dizer, por que eu não consigo esconder nada de ti?
E daí se mesmo eu sendo adulto, perto de ti, sou uma criança novamente? 

Eu não me importo, você não se importa. 
E a gente é feliz assim. 
Então, e daí?

Hoje é um bom dia!

sexta-feira, 6 de maio de 2011 às 09:52
Nos dias 4 e 5 de Maio de 2011, muitas pessoas tiveram seus dias extremamente normais. Vocês acordaram, saíram de suas camas, tomaram banho,fizeram a barba, tomaram café, trabalharam, foram a escola, almoçaram, conversaram com amigos e amigas, voltaram para casa, jantaram, descansaram e e dormiram. Vocês repetiram essa rotina no dia seguinte.

Mas os dias 4 e 5 de Maio de 2011 foram dias muito diferentes para outras pessoas. Nas tardes desses dias citados, 10 pessoas se reuniram com o intuito de debater e julgar um assunto um tanto polêmico nos dias atuais. Essas 10 pessoas eram ninguém menos que os 10 ministros que compõem o Supremo Tribunal Federal - o STF. E o tema a ser debatido era o reconhecimento jurídico da união estável homoafetiva no Brasil. 

Na tarde do dia 4, os ministros do STF mostraram seus argumentos, começando pelo relator do caso, o ministro Ayres Britto. Alguns apresentaram argumentos baseados em dados estatísticos, outros aprofundaram-se teoricamente e ainda, outros tantos convidaram representantes e autoridades no assunto para expressarem seu ponto de vista.

No dia 5, os ministros votam, um a um, se eram a favor ou contra o reconhecimento da união estável de casais homossexuais. Ao final da votação, tivemos 10 votos a favor. Zero voto contra. Assim sendo, passou a ser reconhecida judicialmente a união estável homoafetiva, no Brasil. 

Ao final do julgamento, o presidente do STF, o ministro Cezar Peluso, concluiu pedindo que o Congresso Nacional regulamente a conseqüência da decisão do STF, por meio de uma lei.

Abaixo seguem trechos de alguns dos discursos proferidos pelos ministros do STF:

“Onde há sociedade, há o direito. Se a sociedade evolui, o direito evolui. Os homoafetivos vieram aqui pleitear uma equiparação, que fossem reconhecidos à luz da comunhão que têm e acima de tudo porque querem erigir um projeto de vida. A Suprema Corte concederá aos homoafetivos mais que um projeto de vida, um projeto de felicidade” (Luiz Fux)

“Aqueles que fazem a opção pela união homoafetiva não podem ser desigualados da maioria. As escolhas pessoais livres e legítimas são plurais na sociedade e assim terão de ser entendidas como válidas. (...) O direito existe para a vida não é a vida que existe para o direito. Contra todas as formas de preconceitos há a Constituição Federal” (Cármen Lúcia)

“Estamos aqui diante de uma situação de descompasso em que o Direito não foi capaz de acompanhar as profundas mudanças sociais. Essas uniões sempre existiram e sempre existirão. O que muda é a forma como as sociedades as enxergam e vão enxergar em cada parte do mundo. Houve uma significativa mudança de paradigmas nas últimas duas décadas” (Joaquim Barbosa)

Agora, com essa união reconhecida, os casais homossexuais tem direito a herança, divisão parcial de bens, pensão alimentícia, dentre outras coisas...

Afinal, hoje é um bom dia.

Delírio no fim do dia.

quarta-feira, 4 de maio de 2011 às 12:08
Eu estou despido de todas as roupas, de todas as máscaras, das mentiras e da realidade. Assim eu viajo por mundos nunca antes vistos pelo homem. Aliás, o homem não chega a esses lugares. Eu sou o único lá, contigo. Mas não somos homens, humanos. Somos seres transcendentais que ultrapassam a compreensão dos outros. E somos felizes assim. Somos livres.

Fazemos o que quisermos, sem hora para dormir ou acordar, mesmo porque, o amanhecer do dia e a chegada da noite se confundem num céu, que troca de lugar com o chão e explode numa profusão de cores quentes e frias que se misturam, confundindo quem o vê. E só nós podemos ver isso.

As horas passam, as horas voltam. As horas dançam ao nosso redor, indo e vindo, como convidadas em nossa casa, que sentam-se conosco e tomam vinha, que vira água, que volta ser vinho, que se transforma em suco, que passa para qualquer outra bebida.  A realidade se confunde com a ilusão e nossa diversão é sem fim.

Temos pouco tempo e, ao mesmo tempo, temos o resto de nossas vidas. E somos felizes assim. Somos nossas âncoras. E quando precisamos, voltamos ao mundo real. Só nós dois. Eu e você. Para sempre. Sempre...

... Até a hora voltar.

Só teu.

sábado, 23 de abril de 2011 às 17:33
O teu cheiro, quando você passa, me deixa tonto. Não sei para onde olhar, se te sigo, ou se fico sentado onde estou. As pessoas ao redor não reparam no que está acontecendo. Você não repara no que está acontecendo. Somente eu. Me chama a atenção, desperta todos os meus sentidos. É como se o teu cheiro disparasse uma sirene de alerta dentro de mim.

Eu fico perdido, sem chão, sem teto, sem ideias. Não sei para onde ir. Quero te seguir e poder sentir o teu cheiro para sempre. Quero poder acordar logo cedo, pela manhã, e sentir o seu cheiro ao lado do meu. Você tem um cheiro gostoso, bom de sentir. Não é cheiro de perfume, desodorante, shampoo ou qualquer outro produto. O teu cheiro é natural, adocicado, roxo, delicado. É um cheiro que viciada. É entorpecente.

E eu queria poder guardar o teu cheiro, queria poder te guardar. Você passa e eu fico só imaginando. Minha mente, que costuma trabalhar a mil, se perde em devaneios desse e de outros mundos. De mundos onde você é meu. E eu te quero. Se o cheiro é tão bom, imagina todo o resto.

Denúncia!

quarta-feira, 30 de março de 2011 às 18:43
“Estou me lixando para esse pessoal aí [do movimento gay]. Eles criaram agora a Frente Parlamentar de Combate à Homofobia, a frente gay. O que esse pessoal tem a oferecer para a sociedade? Casamento gay? Adoção de filhos? Dizer para vocês que são jovens que, no dia em que vocês tiverem um filho, se for gay, é legal e vai ser o ‘uhuhu’ da família? Esse pessoal não tem nada a oferecer” (FONTE: UOL Notícias)

A citação acima foi do parlamentar Jair Bolsonaro. Não foi a primeira vez que ele disse algo assim e, infelizmente, não será a última. Como a citação está repleta de indagações do próprio, achei que seria interessante alguém redigir uma carta com as respostas. Procurei na internet e não achei nenhuma. Então, aqui vai minha resposta:


Sr. Deputado Jair Bolsonaro,


   Me chamo Pedro Henrique Vaz de Alcantara, moro em Balneário Camboriu, SC. Tenho 23 anos e sou estudante de ensino superior, do curso de Psicologia. Ao contrário da grande maioria da população (e do senhor) tenho a sorte e o prazer de ter acesso ao ensino superior. Infelizmente, o ensino básico e médio, seja ele no âmbito privado ou público, está defasado e não permite que alunos e professores discutam, de uma forma inteligente, alguns assuntos de importante repercussão no atual cenário mundial.
   Esse acesso a educação, somado com os conhecimentos teóricos e científicos que são proporcionados pelo meu curso, me fazem crer que eu tenha uma visão de mundo um pouco mais ampliada que a do senhor. Por esses motivos, resolvi escrever esta carta, na humilde tentativa de sanar algumas dúvidas postas pelo senhor, hoje, no dia 30 de Março de 2011. 
   Diante de uma rápida pesquisa que fiz na internet - incluindo o seu próprio site - percebi que o senhor seguiu a carreira militar durante a sua vida. Entendo que essa carreira, assim como a sua idade, seja um fator de forte influência na sua posição com relação a Frente Parlamentar de Combate a Homofobia. Porém, creio que não seja educado da parte de uma figura pública e de autoridade, declarar que o senhor está "se lixando" para esse assunto. Muito provavelmente, seu assessores devem ter lhe informado a respeito disso, de modo que não vou me estender além nesse tópico.
    A questão que o senhor levantou foi o que a Frente Parlamentar de Combate a Homofobia tem a oferecer a sociedade. Bem, reconheço que há muito pouco que eles possam oferecer para você. Mesmo porque, o senhor está com seus direitos garantidos, correto? Vi na internet que o senhor é casado e possui três filhos. Em algum dia, alguma pessoa questionou esses seus direitos de casar e ter filhos? Pois bem, esses direitos não são estendidos a mim. Se amanhã eu entrar num cartório com meu parceiro, infelizmente eu não sairei de lá com uma certidão de casamento. Se eu adotar uma criança, na sua certidão de adoção irá constar apenas o nome de um pai e nenhuma mãe, ao contrário de dois pais, como eu e meu parceiro gostaríamos que fosse.
   É senhor deputado, eu entendo que é fácil para o senhor estar acomodado e questionando os MEUS direitos quando os SEUS já estão garantidos. Mas deixe-me lembrar de duas coisas importantes: Primeiro, eu também faço parte da nação, logo, se esses direitos chegarem a mim e a outros homossexuais, estarão, sim, atingindo a sociedade. Talvez não ela, inteira, mas uma parte importante e que anseia por isso. Segundo, gostaria te lembrá-lo que o seu cargo está garantido graças ao voto do povo. E é para o povo que o senhor trabalha. O senhor deve esquecer seus preconceitos, ideias e ideais particulares e trabalhar pelo bem geral da nação, pensando em como melhorá-la. 
   Não o condeno por ter preconceito. Ao contrário, de uma maneira um pouco imprevisível, eu o admiro por ter a coragem de admitir isso em frente a tantas pessoas que o condenam por tal atitude. Mas o senhor não tem o direito de fazer um pronunciamento na TV, rádio ou jornal, praticar um ato criminoso (homofobia é crime) e sair em pune. O senhor deve arcar com as consequências assim como qualquer outro cidadão. E se o senhor não está disposto a colocar seus preconceitos de lado para exercer o seu cargo de uma maneira ampla e correta, por favor, renuncie e deixe que outra pessoa, com uma mente mais aberta e uma melhor noção de contexto social, assuma seu posto. 
   E antes que eu encerre, o senhor disse que não temos nada a oferecer para a sociedade. Bom, do meu ponto de vista, nós, homossexuais, temos uma visão de mundo diferente dos outros, por que sofremos conflitos próprios. Cada pessoa tem suas experiências que determinam como ela vê o mundo. Não espero que o senhor saiba disso, mas espero que entenda, agora que eu estou lhe dizendo. E acredito que nós podemos trazer um pouco mais de humanidade, humildade e sensibilidade para a sociedade, que tanto carece disso, já que é governada por pessoas como o senhor.

Pedro Henrique Vaz de Alcantara

Bolinha de Papel

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 às 05:56
Eu quero te tocar todo vestido, por sentir o cheiro da tua roupa. Quero poder arrancar e amassar cada pedaço de tecido que cobre o teu corpo. Eu quero sentir a tua essência vibrante, gritando, pedindo para que eu te toque. Quero ver os pêlos dos seus braços se eriçarem quando eu passar minha língua, lentamente, pelo seu peito e sua barriga.

Eu quero olhar nos teus olhos e me sentir totalmente perdido, mesmo que por poucos minutos, na imensidão azul, profunda e sem fim. Quero encostar meu corpo ao teu e perceber a tua respiração alterada, descompassada, arritimada. Quero o calor da tua pele, o vermelho da vergonha que te cobre. E por que não também tocar os teus lábios. Quero poder te beijar sem me preocupar com o fim. Eu quero você todo para mim.

Te quero como meu escravo, meu amante, meu amor, meu inimigo. Quero arrancar toda a tua roupa. Quero amassar toda a tua roupa. Quero te amassar todo. Quero te largar na cama, que jogar fora. Quero você, que nem uma bolinha de papel.

História Imperfeita

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 às 11:17
Eu te vejo tão longe. Acho que você nem me reparou, mas eu sim. Fiquei seguindo os teus passos, enquanto você caminhava pela praia, perdido nos teus próprios pensamentos. Aquele sol de fim de tarde deixava os teus cabelos loiros ainda mais brilhantes do que eles já são. Aquela água do mar batendo nas suas pernas e deixando a sua pele lisa e úmida. Eu queria ser esse sol, queria ser a água do mar. 

Na areia fica a marca dos seus pés, aquelas marcas que eu tenho vontade de seguir, para onde quer que você vá. Você vai ainda andando, sem destino, como se tivesse esperando que eu te encontrasse. E eu te encontrei e fiquei perdido com tanta beleza. Afinal, a perfeição existe. Mas e agora, o que eu faço?

Enquanto eu penso, observo uma outra pessoa se aproximando de ti. E então vejo ela ao seu lado. Vocês conversando, o seu sorriso perfeito com dentes brancos, alinhados e sedutores. Selvagem. O vento bate e bagunça o teu cabelo. E aquele sorriso meio esquivo e envergonhado não foi pra mim. 

Eu encontrei a perfeição. Pena que não fui rápido o bastante e perdi para outra pessoa. 

.Bato

às 11:10
Eu bato o pé. Bato o lápis no caderno, impaciente com uma aula chata. Bato na tela do computador, achando que isso vai fazer ele processar a informação mais rápido. Bato na falta de respeito, bato no preconceito. Eu bato uma perna na outra. Bato palmas para aquilo que acho incrível. Eu bato em você, quando você merece. Bato de frente com algumas pessoas, com a injustiça, com a ignorância. Bato no chão pra sentir a terra firme. Bato no ar, bato na água, bato no fogo, rapidamente, pra não me queimar. Eu bato, bato, bato....

Só não bato bem da cabeça. 

Não me toque

terça-feira, 25 de janeiro de 2011 às 08:48
Não encoste em mim, por favor. Ou, se fizer, que seja com delicadeza. Meu coração está rachado em mil pedaços, para cada pedra e pau que o acertou. Não me acho insensível, pois assim é quem nunca abriu as portas para seus sentimentos. Eu me acho cuidadoso, precavido. Mas também sou tolo.

Já deixei meu coração exposto algumas vezes, confiei, mostrei os meus medos mais profundos e meus segredos mais obscuros. E, no final, acabei apanhando. Algumas vezes. E agora meu coração está quebrado e isso dói mais do que quebrar qualquer outra parte do corpo. Todo o amor que eu sinto, esse amor que as vezes me sufoca por eu não ter alguém para dividir... Todo esse amor que me consome vivo... Todo esse amor que faz o meu peito arder em chamas... Todo esse amor... ele vaza pelas rachaduras do meu coração.

E os dias vão passando, as pessoas vão mudando. Meu corpo é saudável. Minha alma é inabalável. Mas meu coração precisa de cuidados. Ele precisa de alguém. E eu preciso de alguém que me toque com delicadeza, que me pegue com as duas mãos, com cuidado e que não me deixe cair. Preciso de carinho, de um beijo e um abraço. Preciso que, no fim do dia, alguém e diga "está tudo bem, eu te amo". Preciso que alguém me olhe nos olhos e me faça sentir seguro.

E se esse alguém não for você, por favor, não me toque,