Bolinha de Papel

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 às 05:56
Eu quero te tocar todo vestido, por sentir o cheiro da tua roupa. Quero poder arrancar e amassar cada pedaço de tecido que cobre o teu corpo. Eu quero sentir a tua essência vibrante, gritando, pedindo para que eu te toque. Quero ver os pêlos dos seus braços se eriçarem quando eu passar minha língua, lentamente, pelo seu peito e sua barriga.

Eu quero olhar nos teus olhos e me sentir totalmente perdido, mesmo que por poucos minutos, na imensidão azul, profunda e sem fim. Quero encostar meu corpo ao teu e perceber a tua respiração alterada, descompassada, arritimada. Quero o calor da tua pele, o vermelho da vergonha que te cobre. E por que não também tocar os teus lábios. Quero poder te beijar sem me preocupar com o fim. Eu quero você todo para mim.

Te quero como meu escravo, meu amante, meu amor, meu inimigo. Quero arrancar toda a tua roupa. Quero amassar toda a tua roupa. Quero te amassar todo. Quero te largar na cama, que jogar fora. Quero você, que nem uma bolinha de papel.

História Imperfeita

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 às 11:17
Eu te vejo tão longe. Acho que você nem me reparou, mas eu sim. Fiquei seguindo os teus passos, enquanto você caminhava pela praia, perdido nos teus próprios pensamentos. Aquele sol de fim de tarde deixava os teus cabelos loiros ainda mais brilhantes do que eles já são. Aquela água do mar batendo nas suas pernas e deixando a sua pele lisa e úmida. Eu queria ser esse sol, queria ser a água do mar. 

Na areia fica a marca dos seus pés, aquelas marcas que eu tenho vontade de seguir, para onde quer que você vá. Você vai ainda andando, sem destino, como se tivesse esperando que eu te encontrasse. E eu te encontrei e fiquei perdido com tanta beleza. Afinal, a perfeição existe. Mas e agora, o que eu faço?

Enquanto eu penso, observo uma outra pessoa se aproximando de ti. E então vejo ela ao seu lado. Vocês conversando, o seu sorriso perfeito com dentes brancos, alinhados e sedutores. Selvagem. O vento bate e bagunça o teu cabelo. E aquele sorriso meio esquivo e envergonhado não foi pra mim. 

Eu encontrei a perfeição. Pena que não fui rápido o bastante e perdi para outra pessoa. 

.Bato

às 11:10
Eu bato o pé. Bato o lápis no caderno, impaciente com uma aula chata. Bato na tela do computador, achando que isso vai fazer ele processar a informação mais rápido. Bato na falta de respeito, bato no preconceito. Eu bato uma perna na outra. Bato palmas para aquilo que acho incrível. Eu bato em você, quando você merece. Bato de frente com algumas pessoas, com a injustiça, com a ignorância. Bato no chão pra sentir a terra firme. Bato no ar, bato na água, bato no fogo, rapidamente, pra não me queimar. Eu bato, bato, bato....

Só não bato bem da cabeça.