História Imperfeita

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 às 11:17
Eu te vejo tão longe. Acho que você nem me reparou, mas eu sim. Fiquei seguindo os teus passos, enquanto você caminhava pela praia, perdido nos teus próprios pensamentos. Aquele sol de fim de tarde deixava os teus cabelos loiros ainda mais brilhantes do que eles já são. Aquela água do mar batendo nas suas pernas e deixando a sua pele lisa e úmida. Eu queria ser esse sol, queria ser a água do mar. 

Na areia fica a marca dos seus pés, aquelas marcas que eu tenho vontade de seguir, para onde quer que você vá. Você vai ainda andando, sem destino, como se tivesse esperando que eu te encontrasse. E eu te encontrei e fiquei perdido com tanta beleza. Afinal, a perfeição existe. Mas e agora, o que eu faço?

Enquanto eu penso, observo uma outra pessoa se aproximando de ti. E então vejo ela ao seu lado. Vocês conversando, o seu sorriso perfeito com dentes brancos, alinhados e sedutores. Selvagem. O vento bate e bagunça o teu cabelo. E aquele sorriso meio esquivo e envergonhado não foi pra mim. 

Eu encontrei a perfeição. Pena que não fui rápido o bastante e perdi para outra pessoa. 

2 comentários

  1. Como sempre você nos brinda com um texto brilhante, adoro quando você produz!

    Eu tô achando que essa história é platônica demais pra ter dado certo, pelo que entendi você só queria mesmo contemplar tamanha perfeição. Aliás, a perfeição só serve pra isso mesmo, pra ser contemplada, admirada, de longe, sem ser tocada...

    Por isso eu prefiro o charme da imperfeição!

  2. Gostaria de informar-lhes, meus caros senhores e minhas caras senhoras, que Platão queimou todos seus poemas quando se tornou discípulo de Sócrates. Por favor, Pedro, não queime seus poemas. Como Mente Hiperativa disse, a perfeição é para os deuses. Nós somos humanos, por isso busque nesse thor não o que o torna perfeito, mas o que resgata à toda humanidade. Então será de verdade. Desculpe minha intromissão, mas não posso resistir a tentar barrar o incêndio de um castelo.