Hoje é um bom dia!

sexta-feira, 6 de maio de 2011 às 09:52
Nos dias 4 e 5 de Maio de 2011, muitas pessoas tiveram seus dias extremamente normais. Vocês acordaram, saíram de suas camas, tomaram banho,fizeram a barba, tomaram café, trabalharam, foram a escola, almoçaram, conversaram com amigos e amigas, voltaram para casa, jantaram, descansaram e e dormiram. Vocês repetiram essa rotina no dia seguinte.

Mas os dias 4 e 5 de Maio de 2011 foram dias muito diferentes para outras pessoas. Nas tardes desses dias citados, 10 pessoas se reuniram com o intuito de debater e julgar um assunto um tanto polêmico nos dias atuais. Essas 10 pessoas eram ninguém menos que os 10 ministros que compõem o Supremo Tribunal Federal - o STF. E o tema a ser debatido era o reconhecimento jurídico da união estável homoafetiva no Brasil. 

Na tarde do dia 4, os ministros do STF mostraram seus argumentos, começando pelo relator do caso, o ministro Ayres Britto. Alguns apresentaram argumentos baseados em dados estatísticos, outros aprofundaram-se teoricamente e ainda, outros tantos convidaram representantes e autoridades no assunto para expressarem seu ponto de vista.

No dia 5, os ministros votam, um a um, se eram a favor ou contra o reconhecimento da união estável de casais homossexuais. Ao final da votação, tivemos 10 votos a favor. Zero voto contra. Assim sendo, passou a ser reconhecida judicialmente a união estável homoafetiva, no Brasil. 

Ao final do julgamento, o presidente do STF, o ministro Cezar Peluso, concluiu pedindo que o Congresso Nacional regulamente a conseqüência da decisão do STF, por meio de uma lei.

Abaixo seguem trechos de alguns dos discursos proferidos pelos ministros do STF:

“Onde há sociedade, há o direito. Se a sociedade evolui, o direito evolui. Os homoafetivos vieram aqui pleitear uma equiparação, que fossem reconhecidos à luz da comunhão que têm e acima de tudo porque querem erigir um projeto de vida. A Suprema Corte concederá aos homoafetivos mais que um projeto de vida, um projeto de felicidade” (Luiz Fux)

“Aqueles que fazem a opção pela união homoafetiva não podem ser desigualados da maioria. As escolhas pessoais livres e legítimas são plurais na sociedade e assim terão de ser entendidas como válidas. (...) O direito existe para a vida não é a vida que existe para o direito. Contra todas as formas de preconceitos há a Constituição Federal” (Cármen Lúcia)

“Estamos aqui diante de uma situação de descompasso em que o Direito não foi capaz de acompanhar as profundas mudanças sociais. Essas uniões sempre existiram e sempre existirão. O que muda é a forma como as sociedades as enxergam e vão enxergar em cada parte do mundo. Houve uma significativa mudança de paradigmas nas últimas duas décadas” (Joaquim Barbosa)

Agora, com essa união reconhecida, os casais homossexuais tem direito a herança, divisão parcial de bens, pensão alimentícia, dentre outras coisas...

Afinal, hoje é um bom dia.

Delírio no fim do dia.

quarta-feira, 4 de maio de 2011 às 12:08
Eu estou despido de todas as roupas, de todas as máscaras, das mentiras e da realidade. Assim eu viajo por mundos nunca antes vistos pelo homem. Aliás, o homem não chega a esses lugares. Eu sou o único lá, contigo. Mas não somos homens, humanos. Somos seres transcendentais que ultrapassam a compreensão dos outros. E somos felizes assim. Somos livres.

Fazemos o que quisermos, sem hora para dormir ou acordar, mesmo porque, o amanhecer do dia e a chegada da noite se confundem num céu, que troca de lugar com o chão e explode numa profusão de cores quentes e frias que se misturam, confundindo quem o vê. E só nós podemos ver isso.

As horas passam, as horas voltam. As horas dançam ao nosso redor, indo e vindo, como convidadas em nossa casa, que sentam-se conosco e tomam vinha, que vira água, que volta ser vinho, que se transforma em suco, que passa para qualquer outra bebida.  A realidade se confunde com a ilusão e nossa diversão é sem fim.

Temos pouco tempo e, ao mesmo tempo, temos o resto de nossas vidas. E somos felizes assim. Somos nossas âncoras. E quando precisamos, voltamos ao mundo real. Só nós dois. Eu e você. Para sempre. Sempre...

... Até a hora voltar.