Inundação

domingo, 16 de dezembro de 2012 às 16:27
A cabeça gira, perdida em pensamentos. O sangue corre pelas veias, carregado de sensações. O coração bate acelerado. A pela sua, fria e pálida. A pupila dilata, preenchendo o castanho claro dos olhos de escuridão, preto. A respiração fica descompassada. A boca, seca. Os passos ficam desajeitados. A voz, que por tantas vezes serviu de arma impiedosa e ácida, não sai.

E eu fico lá, te olhando, sem saber o que fazer, o que dizer, onde por as minhas mãos. Não se te ignoro, se te dou "oi". Se saio correndo ou se choro. Fico parado, que nem um bobo, olhando para você. E a culpa é sua, toda sua. Você entra em mim e preenche cada espaço do meu corpo e do meu espírito. Você ocupa cada espaço destinado aos meus pensamentos e meu raciocínio. E eu fico quente, sentindo você.

E, como não faço nada, você vira as cosas e vai embora. E eu fico aqui, parado, enquanto você me abandona. Enquanto você sai de de mim.

E eu fico aqui, completamente em branco, um vazio.